Primeiros passos para criação de produtos

planejamento

#1

Boa noite comunidade =)

Acabei fundar uma ONG que funciona atualmente com um time de voluntários e que “nasceu” a partir de doações. Mas no mundo ideal, pretendemos nos autossustentar por meio de vendas de produtos e ou serviços, e assim profissionalizar a equipe e a gestão da organização.

Dessa forma, queria saber de quem já passou por essa experiência: indicações de por onde começar, métodos, erros a ser evitados, enfim, tudo o que vocês souberem sobre o assunto e estiver relacionado concepção e validação de novos serviços.

Desde já agradeço pela ajuda.


#2

Olá, Ronaldo,

Tudo bem?

Trabalho com projetos sociais há 15 anos. Em 2014 fundei e atualmente sou diretor do Instituto Phi, que faz a ponte entre doadores e projetos sociais. Nestes três anos movimentamos R$ 8,5 milhões para 122 projetos apoiados, o que nos deu alguma visão sobre o mundo das ONGs e a área social em geral (doadores, negócios sociais, etc).

Até hoje eu ainda não conheci nenhum projeto social que conseguisse se autossustentar, tranquilamente, apenas por meio de vendas. Apoiamos alguns projetos com viés de negócio social, mas que ainda precisam de doação para “pararem de pé” - e me parecem que precisarão por um bom tempo. Outros acabam “produtizando” seu know-how através de consultorias, workshops, cursos, etc para fecharem as contas. Dentre os projetos que conheço, talvez a Rede Asta seja a mais próxima de se sustentar com produtos e serviços (isso porque estão há 10 anos no mercado e fazem um ótimo trabalho).

Não acho que seja impossível uma ONG que se sustente de vendas de produtos. Longe disso.Acredito que caminhamos para o momento em que veremos projetos autossustentáveis, mas que ainda estamos longe (talvez bem longe) disso. O conceito de negócios sociais é interessante, mas ainda não é desenvolvido o suficiente para gerar uma série de cases.

Por fim, acho importante adicionar que, mesmo tendo o objetivo de ser autossustentável por meio de produtos e serviços, acho que vocês não devem abrir mão de uma captação de recursos forte e profissional. Há muito recurso excedente com pessoas físicas, jurídicas, leis de incentivo e editais. Investir em captação talvez tenha, a curto prazo, melhor retorno sobre investimento que qualquer produto ou serviço.

Abs!


#3

Olá, Marcos,

Tudo certo e muito obrigado pelo feedback.

Antes de mais nada, parabéns por fazer parte da história de sucesso do Instituto!

Concordo que no início naturalmente a nossa principal fonte de captação virá de doações (de fundações por exemplo), e que ela pode ser complementada pela venda de produtos e serviços, bem como você exemplificou. Nesse contexto, de agora em diante (ainda mais em um momento de planejamento estratégico) uma das nossas preocupações será pensar em alternativas e testar propostas para depender cada vez menos de doações, e assim tentar equilibrar essas duas fontes de recursos.

Portanto, focaremos em entregar os resultados necessários para ter credibilidade e no curto prazo, captar recursos de forma “forte e profissional”. A partir disso e a médio e longo prazo, tentaremos gerar produtos e valor para quem esteja interessado a nos apoiar além das doações.

Por fim, aproveitando o ensejo a sua experiência na área: você poderia me indicar por onde posso começar a me capacitar e me informar no que tange a captação de recursos que abrangem editais e leis de incetivos por favor?

Desde já agradeço pela ajuda.

Abraço!


#4

Olá, Ronaldo,

Capacitação em captação de recursos não é, realmente, muito fácil. O material é muito difuso e não existe em muuuita quantidade. Você pode dar uma olhada no site da ABCR e no do Instituto Filantropia - ambas instituições também tem um festival anual que reúne boas palestras.

Sobre editais, acredito que o melhor caminho é o site Prosas, que faz uma boa coletânea do que está acontecendo: https://prosas.com.br/editais

Abs!


#5

Fala Zé,

Na minha opinião, se você quer vender um produto ou serviço precisa entender o que é considerado valor para seus futuros clientes. Nesse caso, um excelente ponto de partida pode ser bater um papo com os seus primeiros doadores.

Entender o que os motivou a doar, porque viam valor na sua ONG e o que eles gostariam de ver no futuro pode ajudar bastante nesse processo.

Depois disso, vale levantar algumas possibilidades de produtos e serviços e testar a viabilidade deles, um a um, dos que vocês acreditarem mais para os menos ‘queridos’. Uma ideia para não tornar esse processo nem caro e nem demorado é pensar no mvp - mínimo produto viável dessas ideias - para saber mais sobre esse tópico especificamente aqui - https://endeavor.org.br/mvp/ e aqui - http://blog.luz.vc/o-que-e/5-tipos-de-minimo-produto-viavel/

Complementando as excelentes indicações aqui do Marquinhos, achei esse material sobre captação que me parece ser um pouco grande demais, mas que talvez ajude - http://www.apaers.org.br/arquivo.phtml?a=5701


#6

Olá, Marcos,

Irado! Muito obrigado pela ajuda.

Abs!


#7

Fala Rafa,

Muito obrigado pela ajuda. Complementou bem as indicações do Marcos.

Tô feliz com o apoio dos dois =)

Abraço!